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	<title>Forum Mundial de Educação &#187; Memória</title>
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		<title>Cidade educadora</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jul 2011 12:42:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>albert.sansano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[J.E. ROMÃO A cidade sempre exerceu uma espécie de fascinação sobre os seres humanos, ainda que a trajetória civilizacional tenha se iniciado no campo. De fato, as grandes transformações da vida coletiva somente foram possíveis quando homens e mulheres concentraram-se em espaços contíguos, trocando serviços e sentimentos. Observe-se, a este respeito, o papel que teve [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>J.E. ROMÃO</strong></p>
<p>A cidade sempre exerceu uma espécie de fascinação sobre os seres humanos, ainda que a trajetória civilizacional tenha se iniciado no campo. De fato, as grandes transformações da vida coletiva somente foram possíveis quando homens e mulheres concentraram-se em espaços contíguos, trocando serviços e sentimentos.<br />
Observe-se, a este respeito, o papel que teve a polis na Grécia e a urbs ou civitas em Roma. Mesmo quando já não se inscrevia nos limites exíguos da &#8220;Cidade-estado&#8221;, mesmo quando transbordava para as fronteiras de Estados massivos, como foi o caso da talassocracia de Péricles, dos impérios helenísticos e do Império Romano, a cidade continuava a aparecer como um ideal de realização humanística.<br />
No sentido estrito da expressão, o ideal da cidade só foi superada, curiosamente, pelos que nela viviam, pelos que se instalavam nos &#8220;bourgs&#8221; e eram espoliados pelas elites rurais da nobres feudal: a burguesia. Em outras palavras, exatamente os que vivem nos aglomerados urbanos serão os que vão negar a primazia da urbs, em benefício de um Estado mais amplo. A Cidade-Estado dará lugar ao Estado Nacional, como realização da utopia burguesa.<br />
Ora, como entender este processo? Como compreender que esta contradição não fosse percebida por seus membros-superadores? E mais: como entender que hoje, esta mesma burguesia detrate tanto o Estado Nacional, fragilizando-o diante das corporações transacionais?<br />
Parece, portanto, que é necessário recuperar a visão crítica do processo para compreende-lo.<br />
No período revolucionário, a burguesia tinha que defender a universalização dos direitos, porque precisa do apoio, da aliança dos demais segmentos sociais discriminados para lutar contra as classes dominantes. Contudo, esta defesa tinha seus limites conjunturais, já que os aliados de hoje poderiam voltar suas baterias contra ele, fazendo as mesmas exigências que ela, naquele contexto, fazia aos hegemônicos. Por outro lado, o coletivo de classe que nasceria da solidariedade no sofrimento dos trabalhadores precisava ser substituído por outro coletivo, artificialmente criado, para que se diluíssem as diferenças classistas historicamente constituídas. Inventou-se nacionalismo como substituto da consciência de classe historicamente determinada. E, por mais que se queira questioná-lo, algum serviço ele prestou, pelo menos no que diz respeito à configuração das identidades. De qualquer modo, ainda está para ser feito o balanço dos serviços que ele tem prestado à humanidade, já que sua exacerbação promoveu tanta violência e tantos genocídios.<br />
Nos dias atuais, ele tem sido desgastado pelos seus próprios criadores, que tiram o tapete da governabilidade estatal nacional, especialmente nos países da periferia do Capitalismo. Como dizem os cientistas sociais da atualidade &#8220;desterritorializaram-se&#8221; as identidades específicas.<br />
Curiosamente, a negação do Estado Nacional se dá por dois fenômenos: pelo da planetarização &#8211; que se difere, antagonicamente, da globalização &#8211; e pelo da descentralização, que retorna aos limites da cidade e ambos se complementam, dialeticamente, como espaços de construção das novas identidades.<br />
Por isso, a cidade &#8211; com esta nova vocação de potencializadora de identidades &#8211; deve tornar-se, antes de tudo, uma Cidade Educadora, dado que é, pelo projeto pedagógico que as pessoas filiam-se, historicamente, a um projeto político e, portanto, a uma identidade. No nosso caso de homens e mulheres do século XXI, a identidade humana só pode ser construída pela afirmação de uma cultura específica, aberta à construção da cidadania planetária.</p>
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		<title>Educação cidadã</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jul 2011 12:41:44 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[J. E. Romão Há muito que o Instituto Paulo Freire (IPF) vem perseguindo a idéia de uma &#8220;Educação Cidadã&#8221; e, neste percurso, sofreu ataques à direita e à esquerda. Desta última, as baterias voltavam-se para um termo cujo significado ou conceito a que remetia inscrevia-se no universo da visão de mundo das elites e, mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>J. E. Romão</strong></p>
<p>Há muito que o Instituto Paulo Freire (IPF) vem perseguindo a idéia de uma &#8220;Educação Cidadã&#8221; e, neste percurso, sofreu ataques à direita e à esquerda. Desta última, as baterias voltavam-se para um termo cujo significado ou conceito a que remetia inscrevia-se no universo da visão de mundo das elites e, mais recentemente, na história ocidental, no sistema simbólico da burguesia.<br />
De fato, a cidadania quase sempre foi uma prerrogativa das elites e era usada para excluir a maioria. Não foi este o caso das chamadas civilizações clássicas (Grécia e Roma), em que os cidadãos gozavam de todos os direitos, enquanto os não-cidadãos tinham de se contentar com submissão às decisões dos primeiros? Ora, se Platão considerava que a Política é a ciência e a arte supremas e que, portanto, o ser humano somente realiza sua humanidade participante ativamente delas, os não-cidadão, proibidos, no contexto grego antigo, de participarem do processo decisório, estavam impedidos de se realizarem em sua humanidade. Quando Aristóteles afirmava que o &#8220;homem é um ser, por natureza político&#8221;, no fundo, estava reiterando que os seres vivos, para serem humanos, têm de ser cidadãos, isto é, têm de participar do processo político para atualizarem (no sentido aristotélico) suas potencialidades humanas. Lido em sentido contrário, diferentemente da interpretação anacrônica que se faz, geralmente, dessa sua afirmação, Aristóteles não estava dizendo que todos os seres humanos são políticos; estava afirmando que apenas os políticos eram humanos, excluindo desse universo os metecos (livre não-cidadãos) e os escravos. Também na modernidade, a citoyenneté foi uma prerrogativa conquistada pela burguesia revolucionária e, embora generosamente se estendesse a um número bem mais amplo de pessoas, não tornou co-extensiva a este mesmo universo a igualdade econômica, política, social e cultural, inaugurando uma espécie de tratamento igual formal aos desiguais.<br />
Portanto, parece que o termo e seu campo sintático-semântico está viciado de conotações elitistas e excludentes. Então, por que a insistência do IPF em sua utilização, se podia lançar mão de outros termos mais próximos da tradição das lutas populares? Duas razões, entre outras, podem ser apontadas: primeiramente, a cidadania inscreve-se como utopia no sistema simbólico burguês, no momento em que a burguesia identificava-se com os oprimidos e tentava desalojar do espaço hegemônico as elites excludentes (nobreza e alto clero); em segundo lugar, estrategicamente, as elites sempre se apropriaram das bandeiras populares de maior appeal político, descaracterizando-as e dando-lhe uma nova direção, nos sentido de seus próprios interesses discriminatórios e excludentes. Não está na hora de os grupos que se colocam em posições contra-hegemônicas usarem da mesma estratégia, já que ela tem se mostrado eficientíssima &#8211; ao ponto de fazerem os detentores originais de determinadas bandeiras se sentirem ideologicamente órfãos e de mãos vazias ?<br />
No II Fórum Mundial de Educação, realizado em 2003, parece que, finalmente, esta luta que o IPF vinha mantendo isoladamente no campo das esquerdas brasileiras foi compreendida, transformando-se num dos eixos da Carta de Porto Alegre, que agora se torna um dos parâmetros no Fórum Mundial de Educação de São Paulo, em 2004.</p>
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		<title>Educação e fascínio da fama</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jul 2011 12:41:01 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Frei Betto Revestir uma pessoa de fama precoce é correr o risco de destruí-la. Nem para os adultos é fácil lidar com perdas. Todos nós construímos uma auto-imagem, adornada por funções, posses, talentos e relações familiares e sociais. Basta um desses aspectos ficar arranhado para irromper a insegurança. Por isso o desemprego é tão humilhante. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Frei Betto</p>
<p>Revestir uma pessoa de fama precoce é correr o risco de destruí-la. Nem para os adultos é fácil lidar com perdas. Todos nós construímos uma auto-imagem, adornada por funções, posses, talentos e relações familiares e sociais. Basta um desses aspectos ficar arranhado para irromper a insegurança.</p>
<p>Por isso o desemprego é tão humilhante. Perdem-se a identidade social, a segurança quanto à sobrevivência da família e a qualidade de vida. Já reparou quando lhe apresentam a uma pessoa? Não é suficiente saber-lhe o nome. Há curiosidade em conhecer o que ela faz, em que trabalha. A falta de emprego é como o chão que se abre sob os pés. Cai-se no vazio. Entra-se em depressão. Porque emprego significa salário que, por sua vez, representa a possibilidade de aluguel, alimentação, saúde, educação etc.</p>
<p>Há pais que nutrem nos filhos falsos ideais: destacar-se como modelo numa passarela, tornar-se desportista de projeção, alcançar a fama como atriz ou ator. O sonho congela-se em ambição e a criança passa a dar-se uma importância ilusória. Ainda que alcance dois minutos de fama, como dizia Andy Warhol, os tempos de vazio na platéia são infinitamente maiores que os momentos de aplausos.</p>
<p>O adolescente mergulha no estresse de corresponder à expectativa. Tem de provar a si e aos outros que é capaz, o melhor ou a mais charmosa e inteligente. Passa então a viver, não em função dos valores que possui, mas do olhar do outro. Convencido de que é o supremo &#8211; e incapaz de enfrentar o desmoronamento de seu castelo de areia &#8211; ele recorre ao sonho químico, à viagem onírica, ao embalo das drogas.</p>
<p>A família, perplexa, se pergunta: como foi possível? Logo ele, tão inteligente! Foi possível porque a família confundiu brilhantismo com segurança. Considerou-o um adulto precoce. Exigiu vôo de quem ainda não tinha asas crescidas. Deixou de dar-lhe atenção, colo, carinho. Os diálogos em casa passaram à instância da mera funcionalidade: mesada, compras, viagens, problemas escolares, pequenas exigências da administração do cotidiano.</p>
<p>A culpa é de quem? Da sociedade que cultua certos detalhes, criando uma estética da consumo: moça loura e magra, executivo de carro importado, locutor com sotaque carioca, atriz em sua mansão com piscina, férias em Nova York etc.</p>
<p>A construção da personalidade é um jogo de relações e comparações, arte mimética de abraçar como modelo aquele que merece a nossa admiração. Hoje, as figuras paradigmáticas não se destacam pelo altruísmo dos ícones religiosos (Jesus, Maria, José, Francisco de Assis etc.) ou de personalidades como Gandhi, Luther King, Che Guevara e Teresa de Calcutá. A estética do consumo rejeita a ética dos valores. O sucesso tudo justifica: o adultério virtual, a filha gerada pelo pai de aluguel, o cantor negro que se metamorfoseia de branco, os negócios escusos do empresário notoriamente corrupto.</p>
<p>Famílias e escolas deveriam educar seus alunos para lidar com perdas. Afinal, morrem não só pessoas, mas também sonhos, projetos, possibilidades. A mídia deveria dar destaque a pessoas altruístas. Contudo, como esperar que se enfatize a solidariedade num mundo regido pela competitividade? Como falar de modéstia em tempos de exibicionismo? Como valorizar a partilha se tudo gira em torno da lógica da acumulação?</p>
<p>As drogas não se transformaram na peste do século só por culpa do narcotráfico. Elas são uma quimérica tábua de salvação nessa sociedade que relativiza todos os valores e carnavaliza até a tragédia humana. Não se culpe, indagando onde você errou, como professor ou pai. Pergunte-se pelos valores da sociedade em que vive. Em que medida tais valores, invertidos e pervertidos, não se entranharam também em nossas cabeças, envenenando-nos a alma?</p>
<p>Inútil fechar-se no pequeno mundo doméstico e julgar-se tão protegido quanto Robinson Crusoé em sua ilha. Somos uma teia de relações. O fluxo mundial invade o lar, a mente, o espírito, através da TV e do computador, da publicidade e da mídia. Quanto mais considerarmos que a política é o reino privado dos políticos, no qual não pretendemos influir, tanto mais se configura este modelo de sociedade em que o sucesso predomina sobre o trabalho, a riqueza sobre a honestidade, a estética sobre a ética.</p>
<p>Uma sociedade doente produz, inevitavelmente, seu clone no interior de cada família. Ali está ele, concentrando esforços para que se recupere, demandando sofrimentos, consumindo recursos. Querem curá-lo, como se o fruto não tivesse sua raiz na árvore. Quanto mais sadia uma sociedade, mais sadias as pessoas. Mas, para isso, são precisos valores e o fim da exclusão social.<br />
Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Luís Fernando Veríssimo e outros, de &#8220;O Desafio Ético&#8221; (Garamond), entre outros.</p>
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		<title>Desafios para um outro mundo possível</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jul 2011 12:40:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>albert.sansano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Moacir Gadotti A cidade de São Paulo, de 1 a 4 de abril, estará sediando o maior evento educacional de sua história. Estão sendo esperados mais de 60 mil participantes. E não é para mais. O desafio é grande: uma “outra educação possível”, seguindo os passos do Fórum Social Mundial. Para um outro mundo possível [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Moacir Gadotti</p>
<p>A cidade de São Paulo, de 1 a 4 de abril, estará sediando o maior evento educacional de sua história. Estão sendo esperados mais de 60 mil participantes. E não é para mais. O desafio é grande: uma “outra educação possível”, seguindo os passos do Fórum Social Mundial. Para um outro mundo possível uma outra educação é necessária.<br />
Como podemos enfrentar tamanho desafio? Será apenas um sonho a mais sonhado juntos? Seremos capazes de mudar o mundo? Quantos já tentaram! Quais os caminhos, as estratégias para um outro mundo possível? Estes são os grandes desafios de um Fórum como o São Paulo. Não podemos nos perder em debates locais ou conjunturais que morrem no café da manhã. Nosso desafios é enorme: nosso propósito é mudar o mundo. Nossa tarefa é construir uma Plataforma Mundial de lutas pelo direito à educação, como condição necessária para um outro mundo possível.<br />
Os Fóruns Mundiais (Educação, Saúde, Cultura, Autoridades Locais&#8230;), na esteira do Fórum Social Mundial, têm traduzido uma outra lógica de poder, uma lógica de ação em rede, coletiva, solidária e pluralista. Muitos debates foram realizados, muitas faixas foram penduradas no Gigantinho de Porto Alegre, no Mineirinho de Belo Horizonte, em Cartagena, em Mumbai, em Paris, em Uppsala&#8230; e em tantos outros lugares. Muitas bandeiras foram erguidas muito alto, pela defesa da vida, da ética, do planeta&#8230; Como transformar tudo isso em estratégias coletivas para um outro mundo possível? Como transformar tudo isso em programas viáveis?<br />
Se não soubermos apontar os caminhos possíveis para atingir nosso fim, nossos sonhos serão desmoralizados pelos que sempre querem deixar tudo como está. Uma outra lógica de poder está sendo apontada pelos Movimentos Sociais através de suas ações globais pela justipaz, pela ética na política, pelo consumo ético e solidário que não destrua o planeta. Mas precisamos ainda construir uma infra-estrutura logística de redes em colaboração solidária, sem hierarquias burocráticas, que sejam capazes de organizar a massa de excluídos em movimentos organizados, para que possam, inclusive, participar dos Fóruns.<br />
Os Fóruns, como eventos, têm um papel organizativo, reflexivo, aprendente, propositivo, prospectivo, utópico. Eles não são instituições e, a rigor, nem movimentos. São espaços auto-gestionados de movimentos e de suas causas. Algo ainda não totalmente defino já que está em processo. Um espaço da sociedade civil que nos coloca questões como a escolha entre sermos meros consumidores ou cidadãos ativos, entre sermos promotores da guerra ou protagonistas da paz.<br />
Fóruns são espaços não governamentais, não partidários, não sindicais, não religiosos. São espaços plurais da bio-diversidade, da demo-diversidade. Mas precisamos ir além da manifestação, do manifesto, da proclamação, para construirmos mais programas, mais agendas de lutas.<br />
O Fórum Mundial de Educação de São Paulo quer dar a sua contribuição com uma reflexão séria, organizada, crítica e construtiva em torno de um calendário mundial de lutas contra a globalização neoliberal e a favor da radicalização da democracia, contra a mercantilização da educação e a favor da educação como direito humano universal.</p>
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		<title>Fórum mundial de educação celebrá 450 anos de são paulo</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jul 2011 12:39:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>albert.sansano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Moacir Gadotti Em janeiro de 2001, realizou-se, em Porto Alegre, a primeira edição do Fórum Social Mundial, “por um outro mundo possível”. Durante as poucas, e talvez por isso mesmo, muito concorridas atividades desenvolvidas naquele evento, no campo da educação, os presentes decidiram criar um espaço de debate com o nome de Fórum Mundial de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Moacir Gadotti</p>
<p>Em janeiro de 2001, realizou-se, em Porto Alegre, a primeira edição do Fórum Social Mundial, “por um outro mundo possível”. Durante as poucas, e talvez por isso mesmo, muito concorridas atividades desenvolvidas naquele evento, no campo da educação, os presentes decidiram criar um espaço de debate com o nome de Fórum Mundial de Educação (FME). A Prefeitura de Porto Alegre assumiu a responsabilidade de organizá-lo.<br />
A primeira edição do FME, em outubro de 2001, elegeu como temática central “Educação no mundo globalizado” e, a segunda, em janeiro de 2003, “Educação e transformação”.<br />
O Fórum Mundial de Educação aprovou, em Porto Alegre, duas Cartas em defesa da educação libertadora, popular e cidadã. Além disso, propôs a construção coletiva de uma Plataforma Mundial de Educação e a descentralização dos eventos em fóruns temáticos, regionais e nacionais. Hoje, o FME constitui-se num grande movimento mundial pela cidadania planetária, em defesa do direito universal à educação. Para um “outro mundo possível”, uma outra educação é necessária.<br />
O neoliberalismo concebe a educação como uma mercadoria, reduzindo nossas identidades às de meros consumidores, desprezando o espaço público e a dimensão humanista da educação. Opondo-se a esta perspectiva, o FME defende uma concepção emancipadora da educação que respeita e convive com a diferença, promovendo a intertransculturalidade.<br />
O Fórum Mundial de Educação, na mesma perspectiva do Fórum Social Mundial, sustenta-se em dois pilares básicos: a construção de uma alternativa ao projeto neoliberal e o pluralismo de idéias, métodos e concepções. É um espaço plural, não confessional, não-governamental e não partidário, auto-gestionado, verdadeiramente mundial.<br />
São Paulo celebrará seus 450 anos neste ano com um grande Fórum Mundial da Educação Temático, de 1 a 4 de abril, no Anhembi, com o tema: “Educação cidadã para uma cidade educadora”, convergindo para a terceira edição do FME de Porto Alegre, de 28 a 31 de julho de 2004, com o tema: “A educação para um outro mundo possível: construindo uma plataforma de lutas”. 2004 será um ano importante na luta pelo direito à educação.</p>
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		<title>Forum mundial de educação: por que são paulo?</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jul 2011 12:39:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>albert.sansano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Moacir Gadotti São Paulo celebrará seus 450 anos com um grande Fórum Mundial de Educação Temático de 1 a 4 de abril de 2004. São esperados mais de 60 mil participantes. Por que São Paulo? A cidade de São Paulo candidatou-se para realizar um Fórum Mundial de Educação na abertura da segunda edição do FME, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Moacir Gadotti</p>
<p>São Paulo celebrará seus 450 anos com um grande Fórum Mundial de Educação Temático de 1 a 4 de abril de 2004. São esperados mais de 60 mil participantes. Por que São Paulo?<br />
A cidade de São Paulo candidatou-se para realizar um Fórum Mundial de Educação na abertura da segunda edição do FME, em Porto Alegre, em janeiro de 2003. A iniciativa foi aplaudida por mais de 20 mil participantes do Fórum que estavam no Gigantinho.<br />
São Paulo tem hoje um governo democrático de “reconstrução”, cujo principal objetivo, no campo educacional, é assumir a qualidade social da educação. As principais diretrizes da Secretaria Municipal de Educação &#8211; democratização do acesso e garantia da permanência, democratização da gestão e qualidade da educação – visam a desenvolver ações educativas e reflexivas que contribuam para a auto-organização e emancipação do cidadão, para a preservação do meio-ambiente, superação das desigualdades, por uma vida mais saudável. Dessa forma, São Paulo vai concretizando os princípios da Educação Cidadã, inclusiva, e da Cidade Educadora, tema geral do FME-SP.<br />
Visando à construção de uma escola que forma para e pela cidadania, o Município de São Paulo desenvolveu vários projetos originais. Entre eles, o Orçamento Participativo Criança e os Centros Educacionais Unificados, os CEUS. O objetivo dos CEUS é contribuir com uma formação rica em termos de recursos educativos e culturais, esportivos, de lazer, que esteja integrada com a realidade da comunidade e direcionada para a família e para a comunidade.<br />
A realização do FME-SP, como parte das comemorações dos 450 anos desta cidade, tem um simbolismo especial. Nascida como um colégio – o Colégio São Paulo – no contexto da colonização jesuíta, São Paulo assume, hoje, seu compromisso com a construção da “Educação Cidadã para uma Cidade Educadora”. Uma cidade pode ser considerada educadora quando os seus diferentes espaços, potencialmente educativos, são intencionalmente transformados em educadores, viabilizando a participação e a inclusão dos seus cidadãos e de suas cidadãs nesse movimento de mudança.<br />
Centro econômico da América do Sul e capital do mais rico e dinâmico estado brasileiro, São Paulo é a terceira maior cidade do mundo e o principal portão de entrada de visitantes estrangeiros no país e na América do Sul. São Paulo oferece grande variedade de atrativos a seus visitantes. Conta com 232 salas de cinema, 92 teatros, 11 centros culturais e 70 museus. Entre estes últimos destacam-se o Museu de Arte de São Paulo (MASP), o Museu de Arte Sacra e a Pinacoteca do Estado.<br />
O Parque do Anhembi, que sediará o Fórum, está localizado na Marginal do Rio Tietê, Zona Norte da Cidade de São Paulo. Sua localização é bastante privilegiada pelo acesso às principais rodovias municipais e interestaduais que servem como porta de entrada para a cidade. Também está próximo da Rodovia Tietê, da linha de Metrô Norte e Sul e é servido por inúmeras linhas de ônibus que ligam o bairro ao centro da cidade. Outras instituições parceiras da região, como o Clube da Portuguesa, Campo de Marte e a Universidade Santana cederam seus espaços para acolher as várias atividades da programação do FME-SP que inclui 10 conferências temáticas, 20 painéis de aprofundamento e um grande número de atividades autogestionadas, entre elas o Fórum Mundial da Educação Criança, a Conferência Municipal das Mulheres, o Festival Mundial da Juventude e a Feira Mundial de Educação, com um grande número de expositores de serviços e produtos educacionais.<br />
Testemunhos, marchas e caminhadas farão parte do FME-SP como parte da luta pelo direito universal à educação frente à mercantilização do ensino promovida por órgãos intergovernamentais como o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio.</p>
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		<title>Fme-sp homenageia educadores</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jul 2011 12:38:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>albert.sansano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Moacir Gadotti Os Fóruns são lugar de protestos, de análises, de diagnósticos, de debates e críticas, mas também, lugar por excelência de consolidação de propostas. Fóruns são também lugares de aprendizagem: jamais podemos esquecer a longa história de luta dos povos e de suas diversas organizações e movimentos. Por isso precisamos lembrar aqueles que fundamentam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Moacir Gadotti</p>
<p>Os Fóruns são lugar de protestos, de análises, de diagnósticos, de debates e críticas, mas também, lugar por excelência de consolidação de propostas. Fóruns são também lugares de aprendizagem: jamais podemos esquecer a longa história de luta dos povos e de suas diversas organizações e movimentos. Por isso precisamos lembrar aqueles que fundamentam nossa práxis.<br />
Os Fóruns são também, por isso mesmo, um lugar de lembrança, lembrança dos nossos mortos e desaparecidos e de nossos referenciais. O FME-SP presta homenagem a alguns dos mais destacados educadores brasileiros – Maria Lacerda de Moura, Darcy Ribeiro, Paulo Freire, Milton Santos, Florestan Fernandes – e, certamente, lembrará numerosos outros, como Maria Nilde Mascelani, Neidson Rodrigues, Perseu Abramo, Paulo Rosas, Mário Osório Marques.<br />
Algumas palavras apenas sobre nossos homenageados e seu vínculo com os movimentos sociais e populares.<br />
Maria Lacerda de Moura (1887-1944), professora, principal representante brasileira do pensamento pedagógico libertário, desde muito jovem militou nas causas sociais e feministas, organizou mutirões de construção de casas populares para a população carente. Foi uma das fundadoras da Liga Contra o Analfabetismo e presidente da Federação Internacional Feminina. Escreveu sobre educação, direitos da mulher, sexualidade, combate ao fascismo e antimilitarismo.<br />
Paulo Freire (1921-1997) ficou mundialmente conhecido pela criação do chamado “Método Paulo Freire”. Na verdade, mais do que um método de alfabetização, uma teoria emancipadora do conhecimento. Em 1964, quando coordenava o Plano Nacional de Educação de Adultos, foi preso e exilado pela ditadura militar brasileira, em razão de suas ações político-pedagógicas. Esteve sempre ligado aos movimentos sociais e populares. Foi o criador do MOVA-SP (Movimento de Alfabetização de Jovens e de Adultos da Cidade de São Paulo).<br />
Milton Santos (1926-2001), neto de escravos e muito pobre, foi alfabetizado em casa por seus pais. Geógrafo por ofício e vocação, brilhante acadêmico e eterno educador, assumiu as causas dos oprimidos em todas as dimensões da vida: como negro, líder estudantil e intelectual. Cidadão do mundo, fez do espaço urbano o seu foco principal de conhecimento crítico, comprometido com a construção de uma geografia cidadã para uma cidade verdadeiramente educadora.<br />
Darcy Ribeiro (1922-1997) foi intelectual, político e homem do povo. Seu grande projeto foi desvelar e revelar aos brasileiros e ao mundo os mais significativos traços da cultura nacional, com atenção especial às nações indígenas. Exerceu vários mandatos no legislativo e no executivo. Viveu em muitos países da América Latina, onde conduziu programas de reforma universitária. Assumiu o papel de homem de poder e de crítico do poder, compondo uma visão integradora de política e cultura.<br />
Florestan Fernandes (1920- 1995), reconhecido como um divisor de águas da sociologia brasileira, associou seu brilhantismo acadêmico à incansável luta com e nos movimentos sociais. Inconformado com a malvadez do capitalismo e com as ideologias do capital, transformou a sociologia em ferramenta crítica de denúncia, ação política e de intervenção social, até os últimos dias de sua vida.</p>
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		<title>Fóruns, ações globais e movimentos sociais</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jul 2011 12:37:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>albert.sansano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Moacir Gadotti Os Fóruns de hoje têm uma história que remonta, pelo menos, ao Fórum Global 92, que se reuniu durante a realização da Rio-92. Eles se constituem de movimentos em torno de causas e ações globais. O próprio Fórum Social Mundial é um desses movimentos globais. - O que é uma ação global? Ação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Moacir Gadotti</p>
<p>Os Fóruns de hoje têm uma história que remonta, pelo menos, ao Fórum Global 92, que se reuniu durante a realização da Rio-92. Eles se constituem de movimentos em torno de causas e ações globais. O próprio Fórum Social Mundial é um desses movimentos globais.<br />
- O que é uma ação global?<br />
Ação global é uma ação que catalisa, para a qual convergem muitas ações de movimentos. O FSM é, por excelência, uma ação global, envolvendo muitas redes de movimentos em muitos países, com vistas à superação do modelo de globalização capitalista, essa globalização perversa, estágio superior do imperialismo, que nos ilude, que nos faz crer que estamos realmente nos comunicando com todo o mundo, que nos faz pensar que todos fazemos parte da globalização. Na verdade, o mundo só está melhor hoje para as grandes corporações, pois um bilhão de pessoas está passando fome e quase um bilhão de pessoas são analfabetas.<br />
Ações globais tocam questões globais, desafios globais, como direitos humanos, a pobreza, a crise ecológica, social, o desemprego, a fome, o analfabetismo, a saúde, o lixo, a água, etc. Ações globais combinam-se, necessariamente, com iniciativas locais, mesmo porque as políticas globais têm conseqüências no nível local e no nível das pessoas. As redes de ONGs e movimentos contra-hegemônicos ao perverso modelo de globalização hoje dominante vêm apresentando alternativas ao globalismo de forma propositiva e respeitosa das diferenças.<br />
- Por que um outro mundo é necessário?<br />
Porque não é mais possível conviver com a cultura da guerra e da insustentabilidade. Um quarto do orçamento militar dos Estados Unidos poderia garantir a todos os seres humanos acesso à educação, à saúde, alimentação, água potável e infra-estrutura sanitária&#8230; A lógica do mercado, hoje dominante, jamais satisfará essas necessidades. Essa lógica atente às necessidades do capital e não às necessidades humanas. Por isso, um outro mundo é urgentemente necessário.<br />
- O que é um movimento social?<br />
Uma das grandes e auspiciosas novidades deste início de milênio tem sido o movimento histórico-social provocado pelo surgimento e crescente desenvolvimento de ONGs, associações, entidades, movimentos sociais e populares, lutando pelo respeito a direitos conquistados e por novos direitos, em muitas partes do mundo, particularmente no Brasil. Trabalhando em rede, sem hierarquias, os movimentos sociais lutam pela inclusão social através de campanhas, fóruns, marchas, etc. radicalizando a democracia, conquistando novos direitos. Um reflexo imponente da força desses movimentos tem sido o Fórum Social Mundial, além do Fórum Mundial de Educação, que veio na sua esteira.</p>
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		<title>Lições do forum mundial de educação</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jul 2011 12:37:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>albert.sansano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Moacir Gadotti Nos anos 90, depois da queda do Império Soviético, a globalização capitalista, com seu “discurso único”, queria selar o fim da história e matar a esperança. Um certo “vazio” ideológico deixou muita gente perplexa, sem chão, sem bandeiras de luta. O Fórum Social Mundial ocupou esse espaço ideológico, reacendeu a esperança da libertação, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Moacir Gadotti</p>
<p>Nos anos 90, depois da queda do Império Soviético, a globalização capitalista, com seu “discurso único”, queria selar o fim da história e matar a esperança. Um certo “vazio” ideológico deixou muita gente perplexa, sem chão, sem bandeiras de luta. O Fórum Social Mundial ocupou esse espaço ideológico, reacendeu a esperança da libertação, recolocou a ideologia no palco da história. Os Fóruns prezam a diferença, a diversidade como riqueza da humanidade.<br />
Nos Fóruns, manifesta-se a pluralidade de vozes e de olhares. A multiplicidade de atividades de que são constituídos os Fóruns pode dar a impressão de fragmentação do movimento. Ao contrário, podemos ler essa quantidade de manifestações como a riqueza do movimento que não nos divide, mas nos une numa polifonia de vozes, harmonizadas por uma causa comum.<br />
Fóruns são territórios de autogestão: criando-se os espaços, os movimentos imediatamente os ocupam. Como movimentos, eles têm múltiplas funções: entre outras, eles têm um papel organizativo &#8211; nos conhecer melhor, aprender juntos, nos fortalecer &#8211; um papel político-reflexivo &#8211; descobrir o sentido histórico das nossas experiências &#8211; e um papel prospectivo, utópico: realimentar a esperança, a amorosidade e ganhar lucidez e força para a luta.<br />
O Fórum Social Mundial deu origem a outros Fóruns, baseados nos mesmos princípios. Gostaria de fazer uma referência especial ao Fórum Mundial de Educação, movimento no qual venho atuando desde a sua criação, seguindo os passos abertos pelo Fórum Social Mundial.<br />
Realizamos o primeiro FME, em Porto Alegre, em outubro de 2001, 10 meses depois da primeira edição do FSM, com o tema “Educação na era da globalização” e um segundo Fórum durante a realização da terceira edição do FSM, em janeiro de 2003, com o tema “Educação e transformação”. O neoliberalismo concebe a educação como uma mercadoria, reduzindo nossas identidades a meros consumidores, desprezando o espaço público e a dimensão humanista da educação. Em oposição, defendemos a concepção libertadora da educação, a educação como um direito social universal, ligado à condição humana. Defendemos a escola pública de qualidade como direito, em todos os níveis, respeitosa das diferenças, intertranscultural, inclusiva&#8230; não como direito isolado da luta por outros direitos, mas como um direito ligado a outros setores e movimentos, como direito de aprender ao longo de toda a vida e não só durante a chamada “idade obrigatória”.<br />
O Fórum Mundial de Educação aprovou, em Porto Alegre, duas Cartas em defesa da educação libertadora, cidadã e da educação popular e propôs a construção coletiva de uma Plataforma Mundial de Educação alternativa aos planos e políticas mundiais de educação como mercadoria. Propondo a descentralização dos eventos em fóruns temáticos e regionais, o FME transformou-se num grande movimento mundial em defesa do direito à educação.<br />
São Paulo celebrará seus 450 anos com um grande Fórum Mundial da Educação Temático, de 1 a 4 de abril deste ano, com o tema: “Educação cidadã para uma cidade educadora”, convergindo para a terceira edição do FME de Porto Alegre, de 28 a 31 de julho de 2004, com o tema: “A educação para um outro mundo possível: construindo uma plataforma de lutas”. 2004 é um ano importante na luta pelo direito à educação.</p>
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		<title>Os fóruns e a reinvenção da esquerda</title>
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		<pubDate>Sat, 16 Jul 2011 12:36:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>albert.sansano</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Moacir Gadotti Uma “nova esquerda”, portadora do projeto do “novo socialismo”, está nascendo no seio desde novo movimento histórico do qual o Fórum Social Mundial é o grande portador. Ele inaugurou, no início deste novo milênio, o caminho para “um novo mundo possível”, inaugurou uma nova etapa na batalha dos explorados contra o poder do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Moacir Gadotti</p>
<p>Uma “nova esquerda”, portadora do projeto do “novo socialismo”, está nascendo no seio desde novo movimento histórico do qual o Fórum Social Mundial é o grande portador. Ele inaugurou, no início deste novo milênio, o caminho para “um novo mundo possível”, inaugurou uma nova etapa na batalha dos explorados contra o poder do capital transnacional. Nessa nova etapa abrem-se muitas e novas formas de fazer política. Sem nenhum rótulo, as redes possibilitadas pelos Fóruns estão dando origem a um novo internacionalismo.<br />
Os Föruns conseguiram superar o dilema colocado pela esquerda entre um Marx burocrático e um Bakunin anarquista. Muitos burocratas ficam incomodados com o caráter “anárquico” dos Fóruns, incomodados com o seu “pluralismo”. Por outro lado, o pensamento anarquista presente nos Fóruns fica também incomodado por setores expressivos dos Fóruns que exigem programas, metas concretas, estrutura, propostas para um outro mundo possível. Essas divergências, superadas pela intensidade do diálogo, mostram-nos que outros caminhos são possíveis para além das formas consagradas pelos clássicos paradigmas da esquerda. Não é a causa que envelheceu, mas os métodos autoritários. Se o socialismo autoritário desapareceu como método para um outro mundo possível, viva o socialismo libertário e internacionalista.<br />
O Fórum Social Mundial, com pouco mais de três anos de existência, tornou-se uma referência obrigatória para todas as pessoas, instituições, movimentos que sonham e lutam pela transformação do modelo político, econômico e social dominante hoje no planeta. Em torno desse gigantesco movimento de solidariedade emancipatória convergem esforços que surgem de muitos países, nações, sindicatos, organizações não-governamentais, pessoas e movimentos sociais e populares associados à bandeira comum da resistência e da alternativa à perversa globalização capitalista. O que é particularmente novo nesse movimento é a afirmação do respeito à diversidade, à diferença e à busca do entendimento para alcançar a meta comum.<br />
Fonte fecunda de proposições, o Fórum Social Mundial já apresenta resultados positivos não só na mudança de mentalidades, mas na formulação e execução de novas políticas públicas em diversos campos, radicalizando a democracia e os direitos humanos. Os encontros, reuniões e fóruns têm-se multiplicado pelo mundo, levando à frente o “espírito de Porto Alegre”, empolgando muita gente, reacendendo a esperança, recarregando as energias dos movimentos sociais em direção a um outro mundo possível, fruto não da mão invisível do mercado ou do mecanismo irreversível de luta de classes, mas, fruto da luta organizada dos próprios seres humanos, construindo um novo internacionalismo e novas formas de fazer política.<br />
- Que lições podemos tirar desses Fóruns?<br />
A maior lição a tirar desses Fóruns é que eles mostram como o povo pode fazer história. Os Fóruns colocaram o povo como grande sujeito. Só o povo organizado pode fazer história. Os movimentos sociais não querem ficar na platéia, na arquibancada. A Sociedade Civil não pode ficar assistindo. Tem que ser protagonista deste “outro mundo possível”, deste “outro Brasil necessário”, fazendo cobranças para que a esperança se torne realidade, porque o neoliberalismo ainda está vivo, ainda não foi derrotado.</p>
<p><strong>O FME-SP E A EDUCAÇÃO PARA A SUSTENTABILDIADE</strong></p>
<p>Moacir Gadotti</p>
<p>Um dos principais eixos temáticos do Fórum Mundial de Educação de São Paulo está relacionado à ecologia. A educação ambiental, a ecopedagogia, a Pedagogia da Terra, a sustentabilidade terão um grande espaço nesse Fórum centrado no tema geral: “Educação Cidadã para uma Cidade Educadora”.<br />
A sustentabilidade tornou-se um tema gerador preponderante neste início de milênio para pensar não só o planeta, mas um projeto social global, capaz de reeducar nosso olhar e todos os nossos sentidos, capaz de reacender a esperança num futuro possível, com dignidade, para todos. O modo pelo qual vamos produzir nossa existência neste pequeno planeta decidirá sobre a sua vida ou a sua morte, e a de todos os seus filhos e filhas. A educação tem tudo a ver com esse tema. Por isso, precisamos de uma “Pedagogia da Terra”, de uma ecopedagogia, que recoloque a relação entre a natureza e o ser humano como tema da educação.<br />
Precisamos de uma “Pedagogia da Terra”, uma pedagogia apropriada para esse momento de reconstrução paradigmática, apropriada à cultura da sustentabilidade e da paz. Ela vem se constituindo gradativamente, beneficiando-se de muitas reflexões que ocorreram nas últimas décadas, principalmente no interior do movimento ecológico. Ela se fundamenta num paradigma filosófico emergente na educação que propõe um conjunto de saberes/valores interdependentes. Entre eles podemos destacar: 1º) Educar para pensar globalmente; 2º) Educar os sentimentos; 3º) Ensinar a identidade terrena como condição humana essencial; 4º) Formar para a consciência planetária; 5º) Formar para a compreensão; 6º) Educar para a simplicidade e para a quietude.<br />
Nossas vidas precisam ser guiadas por novos valores: simplicidade, austeridade, quietude, paz, saber escutar, saber viver juntos, compartir, descobrir e fazer juntos. Precisamos escolher entre um mundo mais responsável frente à cultura dominante que é uma cultura de guerra, de competitividade sem solidariedade, e passar de uma responsabilidade diluída a uma ação concreta, pessoal, praticando a sustentabilidade na vida diária, na família, no trabalho, na escola, na rua. O Fórum Mundial de Educação de São Paulo pretende ser um espaço para vivenciar esses novos valores.<br />
O ser humano é o único ser vivente que se pergunta sobre o sentido de sua vida. Educar para sentir e ter sentido, para cuidar e cuidar-se, para viver com sentido em cada instante da nossa vida. Somos humanos porque sentimos e não apenas porque pensamos. Somos parte de um todo em construção.<br />
Formar para a ética do gênero humano, não para a ética instrumental e utilitária do mercado. Educar para comunicar-se. Não comunicar para explorar, para tirar proveito do outro, mas para compreendê-lo melhor. A Pedagogia da Terra funda-se nesse novo paradigma ético e numa nova inteligência do mundo. Inteligente não é aquele que sabe resolver problemas (inteligência instrumental), mas aquele que tem um projeto de vida solidário. Porque a solidariedade não é hoje apenas um valor. É condição de sobrevivência de todos.<br />
Diante do possível extermínio do planeta, surgem alternativas numa cultura da paz e da sustentabilidade. Sustentabilidade não tem a ver apenas com a biologia, a economia e a ecologia. Sustentabilidade tem a ver com a relação que mantemos conosco mesmos, com os outros e com a natureza. A pedagogia deveria começar por ensinar sobretudo a ler o mundo, como nos diz Paulo Freire, o mundo que é o próprio universo, por que é ele nosso primeiro educador. Essa primeira educação é uma educação emocional que nos coloca diante do mistério do universo, na intimidade com ele, produzindo a emoção de nos sentirmos parte desse sagrado ser vivo e em evolução permanente.</p>
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