Fórum encerra com discussões em torno da educação com qualidade
Milhares de pessoas se reuniram nessa noite de sábado, 29, para o encerramento do FMEBF, que contou com a presença do Ministro da Educação Fernando Haddad, de autoridades locais e representantes do Conselho Internacional do FME.
Foram 30 mil cabeças e mais de um milhão de idéias. Os participantes que lotaram Nova Iguaçu para participar do Fórum Mundial de Educação 2008 - Baixada Fluminense deixam a cidade ou continuam nela com um novo pensamento: construir a educação cidadã não só dentro da escola,
mas em casa, na rua, na praça, nos meios de comunicação, nos espaços públicos e nos gabinetes. A carta de intenções para a próxima edição, que acontece em janeiro de 2009, em Belém do Pará, foi apresentada neste sábado, 29, e é o retrato da dinâmica das discussões que envolveram representantes de vários países da América Latina e Europa.
A diferença para os anos anteriores: a carta não é um tratado com metas a serem alcançadas na edição seguinte, mas sim uma minuta hipertextual, que será atualizada e construída aos poucos, depois de cada discussão da rede de especialistas, educadores e representantes de governos, de movimentos sociais e do terceiro setor, para então ser apresentada no início do Fórum Social Mundial em Belém.
O conteúdo do documento propõe o compromisso de não apenas investir pesadas quantias na qualidade da educação, mas promover a integração do espaço educacional com o ambiente urbano e agregar a participação da sociedade no processo de formação de cidadãos.
A fiscalização do uso das verbas destinadas ao setor e a utilização de experiências de sucesso aplicadas em outros lugares do mundo - adaptadas, no entanto, a cada realidade local - são na avaliação do Comitê Organizador do Fórum, as vias para a construção da Cidade Educadora. A troca de vivências culturais e sociais durante os quatro dias do encontro gerou uma verdadeira ciranda de pensamentos.
"Podemos dizer hoje, no Brasil, que nenhum governo oferece educação de qualidade. Além disso, o modelo de escola ainda é importado. Não temos ainda uma escola brasileira. Mas essa escola não pode ser a do Brasil que está aí, mas a do Brasil que nós queremos", sentenciou Moacir Gadotti, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Paulo Freire e membro do Comitê Organizador do Fórum Mundial de Educação.
Autor do livro “Convocados, uma vez mais: Ruptura, continuidade e desafios do PDE”, Gadotti participou da mesa de encerramento, no Sesc de Nova Iguaçu, ao lado do ministro da Educação, Fernando Haddad, que aplaudiu o resultado do caldeirão de discussões. "Nós criamos um
programa federal, o Mais Educação, baseados nessas experiências de ensino integral. Este ano existem R$ 60 milhões reservados para o programa, e esperamos que ele atenda a 2 mil alunos", anunciou. Também compuseram a mesa a cubana Evarina Deulofeu, da Universidade de Havana, representando o Comitê Organizador, e o prefeito local, Lindberg Farias, que representou as 13 cidades da Baixada.
A região recebeu pela segunda vez o FME. Apesar de ainda apresentar carências - uma delas é o aumento do abandono escolar no Ensino Médio - a Baixada Fluminense apresenta rendimento compatível com a média dos municípios brasileiros e vem se destacando em projetos inovadores,
como o Bairro Escola, programa de educação integral em parceria com a comunidade que acontece em 38 escolas da rede municipal de Nova Iguaçu. "Encerramos o Fórum satisfeitos, com a certeza de que projetos que mudem a realidade serão estendidos para outras áreas, ampliando o
direito à educação", avaliou Salete Valesan, da Secretaria Executiva do Fórum.
Por: Kayo Iglesias
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